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Explode a procura pelo ‘bife orgânico’

WASHINGTON – A carne produzida por cerca de duas dúzias de pequenas “fazendas orgânicas” nas vizinhanças da capital americana tornou-se um dos produtos mais procurados nos mercados comunitários, espécie de feiras livres onde os consumidores compram diretamente dos produtores. Brett Thomas, o cozinheiro da Hunter’s Head Tavern, um restaurante de Upperville,Virginia, que serve umguisado feito com “carne orgânica”, diz que não consegue atender à demanda, que explodiu depois que o departamento de Agricultura (USDA) confirmou a descoberta do primeiro caso de doença da vaca louca numa fazenda no Estado de Washington, do outro lado do país, antes do Natal.

“As pessoas estão mais conscientes agora de que os alimentos orgânicos são mais saudáveis e seguros e de que o bife orgânico tem um gosto melhor”, disse Thomas ao Washington Post. Nick Maravell, dono de uma fazenda orgânica em Admanstown, Maryland, já havia vendido as seis vacas orgânicas Angus que separou para o abate antes da notícia sobre o primeiro caso de vaca louca nos EUA provocar o colapso das vendas da carne tradicional no mercado interno e a suspensão das importações de carne dos EUA por 32 países. Maravell prevê que não terá problema para encontrar compradores para o próximo abate.

Membro de uma pequeno mas crescente e bem organizado grupo de produtores agrícolas que apregoa as virtudes de alimentos cultivados sem o uso de agrotóxicos e, no caso do gado, sem hormônios, confinamento ou ração que contenha proteína animal, Maravell disse que a procura pela carne orgânica já estava em alta. “Como eu, muitas pessoas já estavam no processo de aumentar seu rebanho e a oferta seria maior mesmo sem o susto da vaca louca”, disse ele. “Para os fazendeiros orgânicos que estavam hesitando, esse episódio será definitivamente um incentivo para investir no aumento do rebanho.” Ronnie Cummins, que dirige a Associação dos Consumidores Orgânicos, em Little Marais, Minnesota, acredita que “assistiremos agora a um enorme aumento da demanda” pela carne orgânica.

Hoje, ela representa apenas 1% das vendas de carne nos EUA, que somaram US$ 175 bilhões no ano passado. Oportunidade – Esses números e a previsão feita por Cummins dão uma medida da oportunidade que a atual crise de confiança dos consumidores americanos na carne produzida pelos métodos tradicionais no país representa para os pecuaristas exportadores do Brasil, que tradicionalmente criam gado de acordo com os métodos considerados “orgânicos ” nos EUA. Esses métodos, que incluem o não confinamento dos animais, a engorda em pastos formados sem a ajuda de agrotóxicos e dieta vegetal sem uso de hormônios e antibióticos, foram codificados pelo USDA somente em outubro de 2002.

A Dakota Beef Company, empresa de Chicago que pretende ser a primeira “produtora verticalmente integrada” de carne orgânica nos EUA, pode estar entre as grandes ganhadoras da crise provocada pela detecção da doença da vaca louca no rebanho americano.Em outubro, a companhia anunciou a compra da “primeira planta de processamento de bife orgânico” em Dakota do Sul, com capacidade para produzir cerca de 35 mil quilos diários. A Dakota Beef compra seu “boi orgânico” de duas dúzias de fazendas. Outra ganhadora potencial é a cadeia de supermercados Whole Foods, especializada em alimentos naturais e que já oferece carne orgânica produzida no Colorado. Fonte: Jornal O Estado de São Paulo – Caderno de Economia – (02 de janeiro de 2004).

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